Em 2008 assistimos a uma crise que começou no setor imobiliário americano ganhando proporções mundiais e varrendo do mapa bancos tradicionais. Desde então observamos os governos intervindo na economia, implementando programas de socorro, chegando a se tornar o principal acionista de algumas instituições financeiras; manobra que poderíamos chamar de estatização se não se tratasse de países como os EUA, defensores históricos da auto-regulação econômica, da participação mínima do estado, dos ideais neoliberais como um todo. Toda essa engenharia financeira usada no intuito de alavancar a economia implicou em um alto custo financeiro, o aumento da divida dos países; fator que poderia estar relativamente balanceados se o pacote tivesse surtido o efeito desejado sobre os indicadores econômicos , o que não ocorreu. Observamos países como Portugal, Espanha, Irlanda, Itália, Grécia e os próprios EUA com um alto grau de endividamento, o que tem causado turbulências no mundo financeiro. Observando o gráfico da revista The Economist notamos como o endividamento americano cresce desde os anos oitenta, mas que no governo Bush que implementa a Guerra ao Terror a divida aumenta de forma espantosa, se até então as guerras costumavam alavancar a economia americana, sua última investida levou o país a um das mais serias crises econômicas da sua história.
Para dar conta desses problemas assistimos a uma corrida europeia no intuito de impedir o calote da Grécia e o arranjo realizado possibilitou que isso ocorresse de forma parcial, o que diminuiu os lucros dos investidores sem acarretar numa nova crise dessa vez iniciada na região do Euro. Nos EUA, a disputa ocorre no poder legislativo, se tenta elevar o teto da dívida americana para assim impedir a paralisia do governo e o pagamento dos investidores, se aproveitamento dessa questão delicada e da posição minoritária do governo no congresso a extrema direita força pela diminuição do tamanho do estado, exige cortes sociais do governo democrata e se opõe a elevação da tributação sobre os mais ricos proposta pelo presidente.
Parece que voltamos a velha discussão sobre a intervenção ou não dos governos na economia, de fato nesse abismo econômico vivido pelo mundo em 2008 a solução partiu dos estados nacionais que interviram nos setores privados, propuseram algumas medidas que visavam regular mais o mercado, deu ajuda econômica a grupos financeiros que os salvaram da falência, mas parece que tais medidas não foram o suficiente em alguns países e há resistência para a continuidade de tais pacotes, a intervenção do governo teve um efeito direto nas contas públicas e a posição ideológica da direita americana a faz votar contra o aumento do endividamento do país. Em contramão a essa ideia observamos como a população, em especial a mais pobre sofre com cortes no orçamento oriundos de medidas austeras.
É esse impasse que vive a política americana vive e os olhos do mundo de novo estão voltados ela, uma moratória da maior economia do planeta traria consequências incalculáveis para todos, inclusive para o Brasil, quarto maior credor dos EUA. Algo desse tipo acontecer parece que não é nem cogitado pelos especialistas e seria algo inédito na história americana. De acordo com o historiador Leandro Karnal especialista em EUA “Para o bem e para o mal, o destino do planeta está associado aos Estados Unidos da América” ; talvez estejamos perto de comprovar tal afirmação.

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