terça-feira, 2 de agosto de 2011

O conflito de Israelenses e Palestinos

A segunda guerra terminou e como herança deixou suas marcas, suas dores, mas acabou gerando um novo conflito. Com o fracasso da Liça das Nações criada no pós primeira guerra mundial, os países tentam de novo a fundação de uma instituição a ONU que surgirá com a missão de mediar desavenças e assim evitar que o mundo chegue a situação que ele se encontrou na ocasião do conflito mundial. Como uma nova herança dos traumas desse momento histórico do planeta, a situação dos judeus clamou a atenção das nações, há séculos foram mal quistos no mundo cristão, perseguição que atravessou séculos e chegou ao seu ápice com advento do nazismo. Depois do holocausto, o mundo concordou que algo devia ser feito e o sonho sionista que pairava sobre as cabeças e corações da comunidade judaica se tornou realidade com a criação de Israel. Foi promovido um forte processo de imigração e o estado israelense se tornou o abrigo dos refugiados judeus da segunda guerra, apesar do forte protesto da população palestina que já ocupava a séculos a região onde a ONU tinha determinado que se estabeleceria Israel, estava armado um dos maiores conflitos do nosso século.
 Israel conseguiu ao longo do tempo criar um exercito fortemente armado, investiu em tecnologia bélica, enquanto que os mulçumanos em especial os palestinos devido a própria disputa interna não foram capaz de organizar uma linha de defesa vigorosa e unificada, optando por ações surpresas que inúmeras vezes tinha como alvo a população civil judaica. Ações extremadas se observam em ambos os lados, Israel dificulta a circulação de mulçumanos, constrói muros em suas fronteiras e após uma serie de conflitos com os mulçumanos, conseguiu ampliar consideravelmente seu território na mesma proporção que crescia o ódio entre judeus e mulçumanos. Observe aqui no mapa o crescimento da área israelense:



            Outra fonte de sustentação do estado israelense certamente é o apoio que o mundo ocidental sempre lhe concedeu, em especial os EUA. Aliás essa aliança é compreensível uma vez que levamos em conta a forte atuação e influencia nos judeus na política americana no geral, mas também no que tange a atuação externa do país onde tem no extremismo islâmico um inimigo comum; por isso tudo a declaração do presidente Obama no qual defende a criação de um estado palestino com as fronteiras pré- 1967 causou surpresa. O primeiro ministro israelense reagiu prontamente  de forma dura e sob a condição do anonimato disse a agência Reuters estar desapontado com o presidente americano, publicamente ele disse que as fronteiras de 67 são indefensáveis e que comprometeriam a paz de seu país. No entanto a ideia ganha força, na União Europeia apesar da forte resistência e entre os países sulamericanos como Uruguai, Argentina e o Brasil se justou aos demais Brics- Brasil, Rússia, índia, China e África do Sul-, a maioria dos países africanos e asiáticos e países do leste europeu que já reconheceram o Estado Palestino ; no total já são mais de cem países em todo mundo. O apoio a essa causa cresce na mesma proporção que a resistência, diversos manifestantes europeus foram impedidos de embarcar para a região pelas companhias aéreas uma vez que o governo israelense anunciou que caso os nomes de sua lista desembarcassem no país iriam ser mandados de volta para casa e os custos ficariam a cargo das empresas. Clique aqui e saiba o caso dos manifestantes franceses.
                No entanto hoje o governo israelense anunciou através de sua rádio estatal que aceita negociar com os palestinos tomando por base as fronteiras 67 e aceita a troca de territórios mediante a negociações, proposta lançada por Obama. A proposta parece ser uma tentativa de neutralizar a ação palestina , uma vez que Abbas pedia por manifestações populares em favor do reconhecimento de seu estado tal como vez ocorrendo na chamada primavera árabe-que tem sido efetivamente apoiada pelos países ocidentais- e pretendia apelar a ONU na reunião da Assembleia geral marcada para janeiro o que geraria um certo isolamento do estado israelense. No entanto de acordo com a Associated Press, nenhum oficial palestino teve acesso à proposta até agora. Independentemente dos interesses, Israel parece ter promovido uma mudança fundamental em sua política externa e com isso uma outra janela foi aberta para a chegada da paz nesse região tão conturbada, afinal na emergência desse novo mundo multipolar, onde se busca a integração e não a segregação, não faz sentido a criação de muros que reafirmam a separação, torcemos e aguardemos os próximos passos desses chefes de estado.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Discriminação: A mais antiga ignorância humana


                Durante toda nossa história podemos ver e rever diferentes tragédias frutos da ignorância, do preconceito, da aversão ao outro.  Ainda assim, o tempo e a experiência parecem não ter sido capaz de nos ensinar aonde podemos chegar com nossa intolerância; avançamos em nossas ideias e junto com nossas feridas oriundas da segunda grande guerra um paradigma emerge: o preconceito virou uma ideia politicamente incorreta, a intolerância virou um conceito indesejado, mal quisto. Tudo isso é razão de comemoração, no entanto parece que nos falta um olhar mais aguçado pois se o julgamento sobre a questão mudou numa perspectiva coletiva,  a mesma transformação não se verificou no plano individual. Tomo como um exemplo prático o Brasil, nosso país abomina qualquer atitude ou menção preconceituosa quando ela se manifesta na esfera pública, na mídia, ficamos conhecidos mundialmente como exemplo de tolerância, de convivência pacifica com o outro, sobre o mito da tal democracia racial construímos nossa identidade nacional, mas no nosso intimo, no nosso circulo social e nos números das pesquisas o que observamos são situações cotidianas, dados estatísticos que esfregam em nossas caras o tamanho de nossa hipocrisia: Somos sim um país racista.

      
  Semana passada o IBGE divulgou outra pesquisa que nos deu um triste resultado, 63,7 % dos brasileiros acreditam que a raça influencia na vida das pessoas e o aspecto que ela mais interfere é o mercado de trabalho.  Tal fator não deveria ser motivo de surpresa, os negros ocupam a base social do Brasil, seus salários são menores que os brancos, são a maioria dos presos no país, tem em geral menos anos de estudo, são os reflexos sentidos até hoje por anos de escravidão e principalmente da forma como se deu o processo abolicionista no Brasil, que os concedeu liberdade jurídica, mas os protegia de domínios econômicos e sociais que sucederam, os negros deixaram de serem tratados como mercadoria mas continuavam em cativeiro. Negar essa realidade parece ter sido a tática usada pelo estado de modo geral o que em nada colabora para melhorarmos essa condição de inferioridade social, avançamos a passos lentos para uma melhora, a diferença nos salários caiu, mas ainda é de 46% (Clique aqui e veja a reportagem do GI)

Em 2008 o Pnad demonstrou que a maioria da população brasileira se considera negra

                A discriminação não é produto exclusivo brasileiro, recentemente uma pesquisa da Pew Research Center foi divulgada nos EUA como durante a crise a distancia dos salários entre negros e latinos para os brancos subiu assustadoramente, esse últimos ganham até vinte vezes mais que os primeiros. A pesquisa vai além mostrando como os homens estão sendo preferencialmente demitido das empresas; a razão não seria propriamente uma maior competência e preparo do sexo feminino- que tem se mostrado mais empenho em aumentar seus anos de estudo, já sendo maioria nas faculdades- mas sim o fato de que a mulher recebe menos que os homens para exercer a mesma função, logo a empresa demite o sexo masculino e contrata o feminino como forma de cortar gasto, constatação impressionante e demonstração clara como a discriminação baseada no gênero ainda se encontra presente apesar da revolução feminina do século XX. A mulher é independente, vota, estuda, trabalha e mesmo assim ainda é inferiorizada perto de uma figura feminina afinal quando será que virá o tal Renascimento feminino aguardado pelo historiador no livro O Homem Renascentista? Bem, nós mulheres estamos na luta por ele, sonhamos com ele e são os devaneios humanos que saem nossas maiores descobertas, nossas grandes conquistas.
                Tão assustador quando dos dados apresentados acima foi  o fato ocorrido na Europa, um jovem que matou 76 pessoas e tudo isso justificado em cima de sua ideia do que seria Europa, em uma forma de protesto pela incorporação de quem ele considera ser inimigos dos europeus, o islã que estaria invadindo o continente e maculando a cultura e a raça pura europeia. Se os atos são sem dúvida frutos de uma loucura e incapacidade de sentir empatia com outro ser humano, não podemos dizer o mesmo de suas ideias que estão longe de serem consideradas devaneios por uma considerável parcela da população. A extrema direita não é privilégio americano ela tem chegado ao poder no velho mundo seja de forma mais direta seja pelo flerte que a direita mais moderada tem tido com essas ideias no intuito de agregar votos. Com a crise econômica emergiu um forte sentimento de xenofobia, a culpa da falta de emprego recaem sobre os imigrantes , o nacionalismo parece voltar com força e se ele tem o aspecto positivo- gostar da nação onde se nasce faz com que as pessoas lutem por sua constante melhora- pode trazer também seu aspecto negativo para não dizer perigoso se lembramos que o sentimento nacional, de construção identitária está fortemente ligado a demarcação de diferença com o outro, a constatação da diferença não nos traria problemas se ela não estivesse frequentemente ligado a uma ideia de superioridade, onde o nós está acima dos outros. Não faz muito tempo, do começo para o meio do século XX descobrimos onde essa idéia somada a uma crise econômica pode nos levar, no entanto permanecemos brincando com esse perigo num cenário ligeiramente parecido. Agora nos resta lutar pelo que sempre nos faltou: tolerância ao diferente, ou restaurar em toda sua plenitude conceitos que vieram à tona com a revolução francesa e que virou paradigma para o mundo ocidental: Liberdade, Igualdade e Fraternidade e dessa vez que seja para todos e não apenas para uma parcela.

Marianne: Mulher Símbolo da Revolução Francesa

Para terminar de forma diferente: porque será que a imagem feminina é usada enquanto alegoria de tantos valores, ela é o símbolo da justiça, da república, da democracia, da nação? Qual seria o significado de tantos simbolismo?

sábado, 23 de julho de 2011

A Copa de 2014 e o sonho brasileiro

                O Brasil se apaixonou pelo futebol antes de aprender a gostar de si mesmo, tal amor sempre moveu o sonho de voltar a sediar uma Copa do Mundo. Em 2007 o anuncio da FIFA tornou o sonho dos brasileiros possível, mas parece que tudo isso pode se tornar pesadelo. A conta das obras da Copa do Mundo estão nas alturas, somente a reforma do Maracanã custará um bilhão de reais aos cofres públicos e nos devolverá um estádio novo completamente diferente do velho Maraca, que abrigou durante tanto tempo nossa paixão pelo futebol, a alma carioca, a paixão de nossas torcidas, uma parte importante da nossa identidade. Sim, a Copa do mundo tem seu charme, durante tempos abrigou nossos sonhos, mas o quanto vale a pena pagar para tê-la?
           
                                                                   Foto da Reforma do Maracanã

Em São Paulo, o estádio do Corinthians contará com isenções fiscais já aprovadas pelos vereadores e sancionadas pelo prefeito e com o dinheiro do governo estadual que custeará a ampliação na capacidade de público. Em Natal a construção da arena se quer começaram, as obras ligadas a infra-estrutura e mobilidade da cidade também não foram iniciadas devido a divida da prefeitura com o governo federal e segundo o Portal 2014 o município tentará um pedido de “excepcionalidade” junto ao ministério da fazendo; a cidade é considerada a sede mais atrasada. O retrato traçado para a Copa não é bom obras atrasadas, serviço aéreo beirando o caos, custos subindo em proporções estratosféricas, segundo  o UOL em maio os valores cresceram em 1,7 bilhões de reais (observe o aumente em cada sede clicando aqui).Muitos se preocupam se iremos passar vergonha, bom se a eles se referem a um medo das obras não estarem concluídas eu devo tranquiliza-los isso não ocorrerá caros, tudo deverá estar no lugar como o projeto, eu me preocupo mais com a vergonha que estamos passando hoje, com orçamentos crescendo sem parar, estádios custando o dobro de outras partes do mundo, será que nossos operários e nosso cimento são tão mais caros assim? Eu diria que nossas ilusões estão se diluindo e pouco a pouco iremos desejar não mais estar dormindo junto aos nossos sonhos, mas acordar rápido desse pesadelo.  

A dívida americana e a tormenta no epicentro do capitalismo mundial

Em 2008 assistimos a uma crise que começou no setor imobiliário americano ganhando proporções mundiais e varrendo do mapa bancos tradicionais. Desde então observamos os governos intervindo na economia,  implementando programas de socorro, chegando a se tornar o principal acionista de algumas instituições financeiras; manobra que poderíamos chamar de estatização se não se tratasse de países como os EUA, defensores históricos da auto-regulação econômica, da participação mínima do estado, dos ideais neoliberais como um todo. Toda essa engenharia financeira usada no intuito de alavancar a economia implicou em um alto custo financeiro, o aumento da divida dos países; fator que poderia estar relativamente balanceados se o pacote tivesse surtido o efeito desejado sobre os indicadores econômicos , o que não ocorreu. Observamos países como Portugal, Espanha, Irlanda, Itália, Grécia e os próprios EUA com um alto grau de endividamento, o que tem causado turbulências no mundo financeiro. Observando o gráfico da revista The Economist notamos como o endividamento americano cresce desde os anos oitenta, mas que no governo Bush que implementa a Guerra ao Terror a divida aumenta de forma espantosa, se até então as guerras costumavam alavancar a economia americana, sua última investida levou o país a um das mais serias crises econômicas da sua história. 



Para dar conta desses problemas assistimos a uma corrida europeia no intuito de impedir o calote da Grécia e o arranjo realizado possibilitou que isso ocorresse de forma parcial, o que diminuiu os lucros dos investidores sem acarretar numa nova crise dessa vez iniciada na região do Euro. Nos EUA, a disputa ocorre no poder legislativo, se tenta elevar o teto da dívida americana para assim impedir a paralisia do governo e o pagamento dos investidores, se aproveitamento dessa questão delicada e da posição minoritária do governo no congresso a extrema direita força pela diminuição do tamanho do estado, exige cortes sociais do governo democrata e se opõe a elevação da tributação sobre os mais ricos proposta pelo presidente.
Parece que voltamos a velha discussão sobre a intervenção ou não dos governos na economia, de fato nesse abismo econômico vivido pelo mundo em 2008 a solução partiu dos estados nacionais que interviram nos setores privados, propuseram algumas medidas que visavam regular mais o mercado, deu ajuda econômica a grupos financeiros que os salvaram da falência, mas parece que tais medidas não foram o suficiente em alguns países e há resistência para a continuidade de tais pacotes, a intervenção do governo teve um efeito direto nas contas públicas e a posição ideológica da direita americana a faz votar contra o aumento do endividamento do país. Em contramão a essa ideia observamos como a população, em especial a mais pobre sofre com cortes no orçamento oriundos de medidas austeras.
É esse impasse que vive a política americana vive e os olhos do mundo de novo estão voltados ela, uma moratória da maior economia do planeta traria consequências incalculáveis para todos, inclusive para o Brasil, quarto maior credor dos EUA. Algo desse tipo acontecer parece que não é nem cogitado pelos especialistas e seria algo inédito na história americana. De acordo com o historiador Leandro Karnal especialista em EUA “Para o bem e para o mal, o destino do planeta está associado aos Estados Unidos da América” ; talvez estejamos perto de comprovar tal afirmação.